sábado, 6 de junho de 2009
6º Capitulo - Same mistakes
A minha tia suicidou-se há alguns meses – continuou a voz feminina. – Ela passou quase oito sem vontade de sair do quarto, comia, engordava, fumava, tomava calmantes, e dormia a maior parte do tempo. Tinha duas filhas e um marido que a amava.
Bill tentou moer a cabeça na direcção da voz, mas era impossivel.
- Só a vi reagir uma única vez, quando o marido arranjou uma amante. Então ela fez escândalos, perdeu alguns quilos, partiu copos e, por semanas inteiras, não deixava a vizinhança dormir com os seus gritos. Por mais absurdo que pareça acho que foi a sua época mais feliz, lutava por alguma coisa, sentia-se viva e capaz de reagir ao desafio que se colocava diante dela.
“ O que tenho eu a ver com isso?”, pensava Bill, incapaz de dizer algo. “ Eu não sou a sua tia, não tenho mulher, muito menos um marido!”
- O marido acabou por deixar a amante- continuou a mulher.- A minha tia, pouco a pouco, voltou á sua passividade habitual. Um dia, telefonou-me a dizer que estava disposta a mudar de vida, parara de fumar. Na mesma semana, depois de aumentar o número de calmantes por causa da ausência do cigarro, avisou todos de que estava disposta a matar-se. Ninguém acreditou. Certa manhã, ela deixou-me um recado no atendedor de chamadas, a despedir-se, e matou-se com gás. Eu ouvi essa mensagem várias vezes, nunca ouvira a sua voz tão tranquila, conformada com o próprio destino, Dizia que não era nem feliz bem infeliz, e por isso não aguentava mais.
Bill sentiu compaixão pela mulher que contava a história, e que parecia tentar compreender a morte da tia. Como julgar, num mundo onde se tenta sobreviver a qualquer custo, aquelas pessoas que decidem morrer?
Ninguém pode julgar. Cada um sabe a dimensão do próprio sofrimento, ou da ausência total de sentido da sua vida. Bill queria explicar isso, mas o tubo na sua boca fez com que se engasgasse, e a mulher veio ajudá-lo.
Viu-a debruçar-se sobre o seu corpo amarrado, entubado, protegido contra a sua vontade e o seu livre-arbítrio de destrui-lo. Mexeu de um lado para o outro com a cabeça, implorando com os seus olhos para que tirassem aquele tubo, e o deixassem morrer em paz.
- Você está nervoso – disse a mulher. – Não sei se está arrependido, ou se ainda quer morrer, mas isso não me interessa. O que me interessa é cumprir a minha função, no caso do paciente se mostrar agitado, o regulamento exige que eu lhe dê um sedativo.- Bill parou de debater-se, mas a enfermeira já lhe dava a injecção no braço. Em pouco tempo, estava de volta a um mundo estranho, sem sonhos, onde a única coisa de que se lembrava era do rosto da mulher que acabara de ver : olhos verdes, cabelo escuro, e um ar totalmente distante, de quem faz as coisas porque tem que fazer, sem jamais perguntar porque o regulamento manda isto ou aquilo.
Publicada por Mlrs à(s) 09:57
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1 comentários:
estes teus capitulos, epáh nem sei como explicar... é como se fossem msm reais, só msm pela maneira qe escreves *.*
tou a amar completamente :D
Continua, sim? ^^
quero ler mais desta fic!
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