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segunda-feira, 30 de março de 2009

4ºCapitulo- Going under

Daqui a pouco, porém, teria a última experiência da sua vida, e esta prometia ser muito diferente: a morte. Procurou imaginar como seria morrer, mas não conseguiu chegar a nenhum resultado. No entanto, não precisava de se importar com isso, pois saberia daqui a pouco minutos.

Quantos minutos?

Não tinha ideia. Mas deliciava-se com o facto de que ia conhecer a resposta para o que todos se perguntavam : Deus existe?Ao contrário de muita gente, esta não fora a grande discussão interior da sua vida. No antigo regime comunista, a educação oficial dizia que a vida acabava com a morte, e ela acabou por se acostumar com a ideia.

Aos 24 anos, depois de ter vivido tudo que lhe fora permitido viver- e olha que não foi pouca coisa! – Bill tinha quase a certeza de que tudo acabava com a morte. Por isso escolhera o suicídio: liberdade, enfim. Esquecimento para sempre.

No fundo do seu coração, porém, restava a dúvida: e se Deus existe? Milhares de anos de civilização faziam do suicídio um tabu, uma afronta a todos os códigos religiosos: o homem luta para sobreviver, e não para entrgar-se. A raça humana deve procriar. A sociedade precisa de mão-de-obra. Um casal necessita de uma razão para continuar junto, mesmo depois do amor deixar de existir, e um país precisa de soldados, políticos e artistas.

Se Deus existe, o que eu sinceramente não acredito, entenderá que há um limite para a compreensão humana. Foi Ele quem criou esta confusão, onde há miséria, injustiça, ganância, solidão. A sua intenção deve ter sido optima mas os resultados são nulos; se Deus existe, Ele será generoso para com as criaturas que desejaram ir-se embora mais cedo desta Terra, e pode até mesmo pedir desculpas por nos ter obrigado a passar por aqui” Que se danassem os tabus e superstições. A sua religiosa avó dizia: “ Deus conhece o passado, o presente e o futuro.” Nesse caso, já o havia colocado neste mundo com a plena consciência de que ele acabaria por se matar, e não iria ficar chocado com o seu gesto.

Bill começou a sentir um leve enjoo, que foi crescendo rapidamente. Em poucos minutos, já não podia mais concentrar-se na praça do lado de fora da sua janela. Sabia que o Verão estava a terminar, devia ser á volta de 10 da noite, e o Sol ja se tinha posto á algum tempo. Sabia que outras pessoas continuariam a viver : nesse momento, uma rapariga passava diante da sua janela, e viu-o, sem no entanto ter a menor ideia de que ele estava prestes a morrer. Um grupo de músicos lisboetas.

Será que consiguiria ouvir até ao fim os músicos que estavam na praça? Seria uma bela recordação desta vida: a noite, a melodia da música que contava os sonhos do outro lado do mundo, o quarto aquecido e aconchegado, a rapariga bonita e cheia de vida que passava, resolvera parar, e agora encarava-o. Como percebia que o remédio já estava a fazer efeito, era a última pessoa que via.

Ela sorriu. Ele retribuiu o sorriso - não tinha nada a perder. Ela acenou; ele resolveu fingir que estava a olhar para outra coisa, afinal a rapariga estava a querer ir longe de mais. Desconcertada, ela continuou o seu caminho, esquecendo para sempre aquele rosto na janela.
O estômago, agora, começava a dar voltas, e ele sentia-se muito mal. “Engraçado, pensei que uma dose excessiva de calmantes me faria domir imediatamente.” Mas o que estava a acontecer era muito estranho zumbido nos ouvidos e a sensação de vómito.

“Se vomitar, não morro.”

Decidiu conter as cólicas, procurando concentrar-se na noite que se vivia lá fora, nos lisboetas, nas pessoas que passeavam pela praça. O barulho nos ouvidos tornava-se cada vez mais agudo, e – pela primeira vez desde que tomara os comprimidos – Bill sentiu medo, um medo terrível do desconhecido. Mas foi rápido. Depressa perdeu a consciência.

sexta-feira, 13 de março de 2009

3ºCapitulo - Lost


Olhou pela janela do hotel que dava para uma pequena praça de Lisboa.” Espero que Tom, me desculpe, espero que não se mate a seguir, os nossos pais não iriam suportar tal perda.” Foi então que Bill descobriu uma maneira de passar o tempo - já que dez minutos haviam transcorrido, e ainda não notara qualquer diferença no seu organismo. O último acto da sua vida ia ser escrever uma carta para a jornalista da revista Bravo, explicando que não era homosexual e que nunca era visto com namoradas porque não confiava em nenhuma rapariga que se aproximava dele, e devido a isso não as tinha. E assim deixaria a carta como o seu bilhete de suicídio. Quando encontrassem o seu corpo, concluiriam que se matou porque uma revista dizia que era homosexual. Este riu com a polémica nos jornais, com gente a culpar os jornalistas do seu suicídio. No entanto ficou impressionado com a rapidez com que mudara de ideia, já que momentos antes pensara exactamente o oposto – o mundo e os problemas da falta de compreensão das pessoas não lhe dizia respeito.
Escreveu a carta. O momento de bom humor fez com que quase tivesse outros pensamentos a respeito da necessidade de morrer, mas já tinha tomado os comprimidos, era tarde de mais para voltar atrás. De qualquer maneira já tivera momentos de bom humor como esse, e não se estava a matar porque era um homem triste, amargo,vivendo em constante depressão. Acreditava ser uma pessoa absolutamente normal. A sua decisão de morrer devia-se a duas razões muito simples.
A primeira razão : tudo na sua vida de super star era stressante, não podia sair á rua que milhões de flash’s caiam sobre sim, era perseguido diariamente por pessoas que nem conhecia, era alvo de rumores e mentiras. Tudo isso o deixava sem vontade de viver, sem paciencia para o que viesse aseguir, mesmo com o apoio das suas fãs, da banda, do staff, e principalmente da familia, a pressão tornava-se insuportavél.A segunda razão: Bill sempre sonhara em encontrar o amor da sua vida, poder partilhar todas as infelicidades e felicidades com alguem que o amasse verdadeiramente e que este amasse também, mas devido á fama essa procura tornou-se mais dificl, todas as raparigas por quem ele se interessava só queriam o seu dinheiro e fama. Tudo estava errado, e ele não tinha como reparar qualquer situação- o que lhe dava uma sensação de inutilidade total.