Quando abriu os olhos, Bill não pensou “Isto deve ser o céu.” O céu jamais utilizaria uma lâmpada fluorescente para iluminar o ambiente, e a dor – que apareceu numa fracção de segundos depois, era tipíca da Terra. Ah, esta dor da Terra – ela é única, não pode ser confundida com nada.
Quis mexer-se, e a dor aumentou. Uma série de pontos luminosos apareceram, e mesmo assim Bill continuou a entender que aqueles pontos não eram estrelas do Paraíso, mas consequência do seu intenso sofrimento.
- Recuperou a consiência- ouviu uma voz de mulher. – Agora você está com os dois pés no Inferno, aproveite.
Não, não podia ser, aquela voz estava a enganá-lo. Não era o Inferno , porque sentia muito frio, e notara que tubos de plástico saíam da sua boca e do nariz. Um destes tubos, o que estava enfiado pela sua garganta abaixo, dava-lhe a sensação de sufocar. Quis mexer-se para tirá-lo, mas os braços estavam amarrados.
- Estou a brincar, não é o Inferno- continuou a voz.- É pior que o Inferno onde, aliás, eu nunca estive. É Carrano Bueno.
Carrano Bueno, o famoso e temido asilo de loucos, que existe desde 1974, ano da liberdade do país. Naquela época, um grupo de empresários europeus conseguiu licença para instalar um hospital de doentes mentais num artigo quartel, abandonado por causa dos altos custos de manutenção.
Porém, aos poucos, os empresários ficaram preocupados: o dinheiro para o investimento viera de capitalistas espalhados por diversas partes do mundo, cujos nomes nem sabiam – de modo que era impossível sentar-se diante deles, dar algumas desculpas, pedir que tivessem paciência. Resolveram o problema adoptando práticas nada recomendáveis para um asílo psiquiátrico, e Carrano Bueno passou a simbolizar o que havia de pior no país : bastava pagar para se conseguir vaga. Muitas pessoas, quando queriam livrar-se de algum membro da familia por causa de discussões sobre heranças ou comportamento inconveniente, gastavam uma fortuna e conseguiam um atestado médico que permitia o internamento dos filhos ou pais criadores de problemas. Outros, para fugir de dividas, ou justificar certas atitudes que podiam resultar em longos períodos de prisão, passavam algum tempo no asílo e saíam livres de qualquer cobrança ou processo judicial.
Carrano Bueno, o lugar de onde ninguém jamais tinha fugido. Que misturava os verdadeiros loucos, enviados pela justiça, ou por outros hospitais, com aqueles que eram acusados de loucura, ou fingiam insanidade. O resultado era uma verdadeira confusão, e a impressa publicava constantemente histórias de maus tratos e abusos, embora jamais tivesse permissão de entrar e ver o que estava a acontecer. O governo investigava as denúncias, não conseguia provas, os accionistas ameaçavam espalhar que era difícil fazer investimentos externos no país, e a instituição conseguia manter-se de pé, cada vez mais forte.
Quis mexer-se, e a dor aumentou. Uma série de pontos luminosos apareceram, e mesmo assim Bill continuou a entender que aqueles pontos não eram estrelas do Paraíso, mas consequência do seu intenso sofrimento.
- Recuperou a consiência- ouviu uma voz de mulher. – Agora você está com os dois pés no Inferno, aproveite.
Não, não podia ser, aquela voz estava a enganá-lo. Não era o Inferno , porque sentia muito frio, e notara que tubos de plástico saíam da sua boca e do nariz. Um destes tubos, o que estava enfiado pela sua garganta abaixo, dava-lhe a sensação de sufocar. Quis mexer-se para tirá-lo, mas os braços estavam amarrados.
- Estou a brincar, não é o Inferno- continuou a voz.- É pior que o Inferno onde, aliás, eu nunca estive. É Carrano Bueno.
Carrano Bueno, o famoso e temido asilo de loucos, que existe desde 1974, ano da liberdade do país. Naquela época, um grupo de empresários europeus conseguiu licença para instalar um hospital de doentes mentais num artigo quartel, abandonado por causa dos altos custos de manutenção.
Porém, aos poucos, os empresários ficaram preocupados: o dinheiro para o investimento viera de capitalistas espalhados por diversas partes do mundo, cujos nomes nem sabiam – de modo que era impossível sentar-se diante deles, dar algumas desculpas, pedir que tivessem paciência. Resolveram o problema adoptando práticas nada recomendáveis para um asílo psiquiátrico, e Carrano Bueno passou a simbolizar o que havia de pior no país : bastava pagar para se conseguir vaga. Muitas pessoas, quando queriam livrar-se de algum membro da familia por causa de discussões sobre heranças ou comportamento inconveniente, gastavam uma fortuna e conseguiam um atestado médico que permitia o internamento dos filhos ou pais criadores de problemas. Outros, para fugir de dividas, ou justificar certas atitudes que podiam resultar em longos períodos de prisão, passavam algum tempo no asílo e saíam livres de qualquer cobrança ou processo judicial.
Carrano Bueno, o lugar de onde ninguém jamais tinha fugido. Que misturava os verdadeiros loucos, enviados pela justiça, ou por outros hospitais, com aqueles que eram acusados de loucura, ou fingiam insanidade. O resultado era uma verdadeira confusão, e a impressa publicava constantemente histórias de maus tratos e abusos, embora jamais tivesse permissão de entrar e ver o que estava a acontecer. O governo investigava as denúncias, não conseguia provas, os accionistas ameaçavam espalhar que era difícil fazer investimentos externos no país, e a instituição conseguia manter-se de pé, cada vez mais forte.

4 comentários:
WHAT?! o.O
O Bill tá num hospital de loucos?! o.O
pior qe o inferno?! o.O
opáh, qe irritação! eu qero mais disto *___*
não pds acabar um capitulo assim (hunf) xD
continua, desejosa de ler mais tou eu! :P
Beijos
Só uma coisa....
Pra comentar temos de ter uma conta no blogspot ou uma coisa assim e eu por acaso tenho, mas qe ja ñ utilizo :S vê se consegues mudar isto...
oH MAS KE INJUSTIÇA!
Mas ke raio d irmao gemeo que o Tom é par deixar o Bill ir parar a um sitio dakeles!
o Tom, os amigos, os pais... um sitio pessimo
(Hj não estou mt inspirada xD)
Beijo
Hello, sou a tua nova leitora!!!
estou simplesmete apaixonada pe tua fic
!!!!!!!
parabens
Obrigada a todas :)
Vou postar o próximo agora mesmo^^
Beijinhos
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